Ontem foi dia de viagem por escolas do Concelho, começámos
em Cabeção, com uma sala cheia de meninos e meninas, simpáticos e interessados,
com uma menina, a Mariana, a descobrir que o Anuro guarda a horta “ lá de cima,
à luz da lua”. Soubemos também que, em Cabeção, todos os meninos têm hortas e
sapos, um deles terá mesmo vinte, ou mais, do que eu não duvido, tendo em conta
a convicção e a seriedade com que, pelo próprio, me foi feita tal afirmação.

Em Pavia, o mesmo ambiente, o mesmo entusiasmo, a mesma
alegria na descoberta do interessante mundo dos peixes-sapos… A diferença
esteve em mim, regressar, como autor, à sala onde há quatro décadas atrás, no
século passado, um dia pensei, desejei, ser isso mesmo, depois de a minha
professora nos ter apresentado o livro “O trigo e o joio”, e nos ter falado do
Fernando Namora e do Manuel Ribeiro de Pavia. Foi realmente uma viagem no
tempo, feita de doce nostalgia, de desejo de partilha de coisas que morrerão
com as nossas memórias, como as intermináveis batalhas navais da poça do
“Curral-concelho”, disputadas com barcos de folha de piteira. Pavia foi também
o saber de muitas outras histórias, grandes, verdadeiras, cheias de tudo o que
a vida é, que me encheram o peito e me despertaram o desejo de querer escrever,
para melhor perceber, hoje, o pequeno grande mundo do lugar onde nasci, que
sinto como meu, uma espécie de segunda pele ou raiz, um mundo que, fiquei
certo, poderia fielmente contar através das histórias dos meninos e meninas da
minha escola de sempre: uma menina que confessa que o pai tem uma namorada
jovem e muito bonita mas que gosta muito mais da mãe, embora também goste da
namorada do pai, um menino de olhos luminosos e iluminados que fala dos muitos
irmãos que tem, numa família alargada, um neto de um velho amigo que nos serve
simpatia num chá de Tília e de quem se diz que dá os abraços mais ternurentos
do mundo. Espero um dia poder contar todas as outras histórias que ficam por
contar nesta história…
Trabalhos do Jardim de Infância de Pavia
À
professora Ana Maria, à Rita, minha
companheira desta aventura literária, a todos os professores e alunos que
participaram nas apresentações, o meu obrigado pela oportunidade de termos tido
o prazer de partilhar todas estas histórias…
António Carlos